Ano I - Número 4 - Dez 2001
   Janeiro / Fevereiro de 2002
 

Utilização de Biomassa e o
Mecanismo de Desenvolvimento Limpo

     O tema foi apresentado pelo advogado Flavio Rufino Gazani, do Escritório Pinheiro Pedro Advogados, no Workshop Internacional “Implementação de Estratégias para Utilização de Biomassa na Europa e em Países em Desenvolvimento”, realizado em Eskilstuna, na Suécia, entre os dias 18 e 21 de novembro.

     Promovido pela Administração Nacional de Energia e pela Agência Internacional de Desenvolvimento e Cooperação da Suécia, com apoio do Instituto de Meio Ambiente de Estocolmo e da Agência Ambiental Sueca, o evento teve como objetivos aumentar o conhecimento a respeito do assunto, bem como influenciar na formulação de políticas públicas de incentivo à utilização de energias alternativas em países em desenvolvimento. Por outra parte, teve também a missão de tentar identificar oportunidades de cooperação com países em desenvolvimento, particularmente na área de energia produzida através da biomassa, que tenham condições de serem escolhidas como projetos de MDL – Mecanismo de Desenvolvimento Limpo, previstos pelo Protocolo de Kyoto.

     O trabalho apresentado pelo advogado Flavio Gazani enfocou justamente a “utilização da biomassa no Brasil e o MDL”, abordando o potencial existente no país para projetos de geração de energia obtida com a queima do bagaço de cana de açúcar. Como representante do único escritório de advocacia presente no encontro, Gazani tratou também dos aspectos legais relacionados à implementação de unidades de geração de energia, tais como o licenciamento ambiental, bem como dos incentivos à produção alternativa por parte da Agência Nacional de Energia Elétrica – Aneel.

     Gazani também mostrou aos mais de 80 participantes do encontro, que representavam pelo menos 29 países, que existem ações governamentais que estão atentas às possibilidades inerentes ao MDL, destacando, entre elas, a criação da Comissão Interministerial de Mudanças Climáticas - responsável pela administração do processo de MDL no Brasil - e do Fórum Brasileiro de Mudanças Climáticas, que têm objetivo de conscientizar a sociedade brasileira sobre os problemas da mudança do clima.

     Na área empresarial, o advogado relatou a experiência e atuação do CEBDS – Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentável, que reúne empresas cujos compromissos com o meio ambiente representam posição de vanguarda no assunto.

     Flavio Gazani lembra que a presença do Escritório no evento foi muito positiva, já que procurou mostrar aos empresários, consultores, financiadores, universidades e instituições governamentais, a viabilidade de implementação de projetos de MDL no Brasil, especialmente na área de energia, face a crise energética por que passa o país.

ENGEMA

     Em seguida Gazani também participou do VI Engema – Encontro Nacional sobre Gestão Empresarial e Meio Ambiente, realizado pela Fundação Getúlio Vargas e pela FEA/USP, entre os dias 26 e 28 de novembro.
     O Engema tem como objetivo estimular a produção de novos conhecimentos e abordagens administrativas capazes de contribuir para a proteção do meio ambiente e a melhoria da qualidade de vida das pessoas. Nesse sentido, destaca Gazani, projetos destinados à co-geração de energia e calor com bagaço de cana de açúcar e sua tradução em Projetos de MDL são bastante oportunos. Gazani lembra que enfocou particularmente questões consernentes à convenção sobre mudança do clima e seu Protocolo de Kyoto, especialmente o MDL, visto que trata-se de algo muito novo em todo o mundo. Linhas de financiamento disponíveis e Fundos destinados a aportes financeiros aos projetos de MDL também foram mencionados pelo advogado no encontro.

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