A
saúde do trabalhador deve ser preponderante na gestão
das empresas
Ambiente
do trabalho, qualidade dos processos e produtos e respeito ao meio
ambiente são parte dos sistemas modernos de gestão empresarial. O
objetivo principal é sobreviver com competência no mercado competitivo
e globalizado.
Está
cada vez mais evidente que uma empresa não terá um produto perfeito
e um processo produtivo ambientalmente correto se sua força de trabalho
estiver doente. Portanto, para manter-se competitiva no mercado concorrencial
e globalizado é primordial que sejam feitos investimentos constantes
para a segurança e saúde do trabalhador. No Brasil, está ocorrendo
um fenômeno interessante.
Segundo
informações da Fundacentro, do Ministério do Trabalho, apesar de ter
havido, de 1981 para cá, uma queda nos acidentes típicos de trabalho,
houve um sensível crescimento das doenças ocupacionais, tais como
lesões de esforço repetitivo (LER) e surdez induzida por ruído. Tais
dados reforçam a importância da educação do trabalhador, quanto à
segurança e saúde no ambiente de trabalho, buscando melhores resultados
na produtividade. As doenças ocupacionais são responsáveis por grandes
despesas não apenas para o governo. Afetam também o custo do produto
final, o lucro e o valor do patrimônio das empresas.
A
advogada Luciane Helena Vieira, do escritório Pinheiro Pedro Advogados,
especialista no assunto, observa que “se uma empresa apresenta grande
número de empregados acidentados ou com doenças ocupacionais, terá
efetivamente problemas no momento em que estiver sendo vendida ou
incorporada. Em razão das inevitáveis auditorias prévias a qualquer
negócio, será muito difícil alguém adquirir uma empresa que, no futuro,
pode ser condenada a pagar altas indenizações”. Diante desse quadro
complexo e preocupados com a capacidade competitiva de suas empresas,
dirigentes têm adotado de forma crescente o que se denomina Sistema
Integrado de Gestão, cujo objetivo é promover a melhoria contínua
do processo produtivo.
O
SIG visa o cumprimento de metas relativas à qualidade do produto,
ao respeito ao meio ambiente e também à segurança e saúde ocupacional.
Em passado recente, para implantação de programas de gestão de segurança
do trabalho, era utilizada a norma britânica BS 8.800, editada em
1996 pela BSI, instituição britânica de normas técnicas. Em 1999,
no entanto, foi editada a norma OHSAS 18001 (Occupational Health and
Safety Assessment Systems). Ao contrário da BS 8.800, que funcionava
apenas como um guia indicativo de procedimentos, a nova norma possui
requisitos mandatórios, o que permite a certificação dos procedimentos
adotados. Da
mesma forma que as normas ISO (de qualidade do Meio Ambiente), ela
traz vantagens na medida em que sua implantação é avaliada e os resultados
podem ser mensurados.
A
doutora Luciane destaca que, para implementar a gestão integrada,
algumas etapas devem ser observadas, como análise preliminar de risco
em toda a área industrial, para identificação dos perigos do trabalho
e estruturação de planos de ação, visando eliminar ou minimizar tais
riscos. Campanhas de conscientização, palestras, treinamentos aos
próprios funcionários, para que identifiquem riscos, também devem
ser adotados e levam cada integrante da empresa a participar de forma
efetiva no processo.
A
advogada lembra que a empresa interessada na certificação OHSAS 18001
deve contar, nesse processo, com o comprometimento de toda sua alta
administração. E, como o sistema de gestão tem entre seus objetivos
a promoção de mudanças visando a melhoria contínua das condições de
segurança e saúde ocupacional, “é imprescindível que a empresa esteja
assessorada permanentemente, provida de informações sobre a edição
de novas leis sobre Medicina, Segurança e Higiene do Trabalho, sua
abrangência e aplicação nos processos produtivos. Demanda que vem
sendo atendida pelo nosso escritório”, destaca.
Enfim, a segurança do trabalho deve
ser pensada e praticada todos os dias, por todos e cada um dos integrantes
da empresa, isso porque em uma organização, seja ela de que tamanho
for, nada é mais importante que o elemento humano que a compõe.
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