Ano I - Número 4 - Dez 2001
   Janeiro / Fevereiro de 2002
 

A saúde do trabalhador deve ser preponderante na gestão das empresas

Ambiente do trabalho, qualidade dos processos e produtos e respeito ao meio ambiente são parte dos sistemas modernos de gestão empresarial. O objetivo principal é sobreviver com competência no mercado competitivo e globalizado.

     Está cada vez mais evidente que uma empresa não terá um produto perfeito e um processo produtivo ambientalmente correto se sua força de trabalho estiver doente. Portanto, para manter-se competitiva no mercado concorrencial e globalizado é primordial que sejam feitos investimentos constantes para a segurança e saúde do trabalhador. No Brasil, está ocorrendo um fenômeno interessante.

     Segundo informações da Fundacentro, do Ministério do Trabalho, apesar de ter havido, de 1981 para cá, uma queda nos acidentes típicos de trabalho, houve um sensível crescimento das doenças ocupacionais, tais como lesões de esforço repetitivo (LER) e surdez induzida por ruído. Tais dados reforçam a importância da educação do trabalhador, quanto à segurança e saúde no ambiente de trabalho, buscando melhores resultados na produtividade. As doenças ocupacionais são responsáveis por grandes despesas não apenas para o governo. Afetam também o custo do produto final, o lucro e o valor do patrimônio das empresas.

     A advogada Luciane Helena Vieira, do escritório Pinheiro Pedro Advogados, especialista no assunto, observa que “se uma empresa apresenta grande número de empregados acidentados ou com doenças ocupacionais, terá efetivamente problemas no momento em que estiver sendo vendida ou incorporada. Em razão das inevitáveis auditorias prévias a qualquer negócio, será muito difícil alguém adquirir uma empresa que, no futuro, pode ser condenada a pagar altas indenizações”. Diante desse quadro complexo e preocupados com a capacidade competitiva de suas empresas, dirigentes têm adotado de forma crescente o que se denomina Sistema Integrado de Gestão, cujo objetivo é promover a melhoria contínua do processo produtivo.

     O SIG visa o cumprimento de metas relativas à qualidade do produto, ao respeito ao meio ambiente e também à segurança e saúde ocupacional. Em passado recente, para implantação de programas de gestão de segurança do trabalho, era utilizada a norma britânica BS 8.800, editada em 1996 pela BSI, instituição britânica de normas técnicas. Em 1999, no entanto, foi editada a norma OHSAS 18001 (Occupational Health and Safety Assessment Systems). Ao contrário da BS 8.800, que funcionava apenas como um guia indicativo de procedimentos, a nova norma possui requisitos mandatórios, o que permite a certificação dos procedimentos adotados. Da mesma forma que as normas ISO (de qualidade do Meio Ambiente), ela traz vantagens na medida em que sua implantação é avaliada e os resultados podem ser mensurados.

     A doutora Luciane destaca que, para implementar a gestão integrada, algumas etapas devem ser observadas, como análise preliminar de risco em toda a área industrial, para identificação dos perigos do trabalho e estruturação de planos de ação, visando eliminar ou minimizar tais riscos. Campanhas de conscientização, palestras, treinamentos aos próprios funcionários, para que identifiquem riscos, também devem ser adotados e levam cada integrante da empresa a participar de forma efetiva no processo.

     A advogada lembra que a empresa interessada na certificação OHSAS 18001 deve contar, nesse processo, com o comprometimento de toda sua alta administração. E, como o sistema de gestão tem entre seus objetivos a promoção de mudanças visando a melhoria contínua das condições de segurança e saúde ocupacional, “é imprescindível que a empresa esteja assessorada permanentemente, provida de informações sobre a edição de novas leis sobre Medicina, Segurança e Higiene do Trabalho, sua abrangência e aplicação nos processos produtivos. Demanda que vem sendo atendida pelo nosso escritório”, destaca.

     Enfim, a segurança do trabalho deve ser pensada e praticada todos os dias, por todos e cada um dos integrantes da empresa, isso porque em uma organização, seja ela de que tamanho for, nada é mais importante que o elemento humano que a compõe.

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