"Produção
Mais Limpa",
um negócio "Ecoeficiente".
Produção
Mais Limpa e ecoeficiência são termos que refletem os
modernos conceitos ambientais nas empresas. Segundo o CEBDS, nessa
matéria a indústria brasileira está na vanguarda
entre os países em desenvolvimento.
O conceito de Produção Mais Limpa
é bastante novo. Surgiu em 1989, através do PNUMA – Programa das Nações
Unidas para o Meio Ambiente. Em linhas gerais significa a aplicação
de uma estratégia ambiental contínua e integrada a processos, produtos
e serviços, a fim de aumentar a eficiência, conduzir a um melhor desempenho
ambiental, reduzir custos, diminuir os riscos de acidentes ambientais
e aumentar a segurança do trabalhador. A informação é de Márcia Droshagen,
Coordenadora da Rede Brasileira de Produção Mais Limpa do CEBDS –
Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentado.
Márcia explica que, como conseqüência, surgiu um conceito mais avançado
e abrangente: o da ecoeficiência, que significa atingir a eficiência
econômica por intermédio da eficiência ambiental.
Voltado para os países em desenvolvimento,
o Programa é adotado em 18 países da América Latina, Leste Europeu,
Ásia e África. Sem medo de errar, Márcia Droshagen afirma que o Brasil
está na vanguarda deste processo, com uma rede de P+L bastante ampla.
O sonho é instalar Núcleos de Produção Mais Limpa nos 27 estados brasileiros.
Atualmente, oito estados brasileiros possuem núcleos de Produção Mais
Limpa, com possibilidades de ampliação, uma vez que o CEBDS e o SEBRAE
assinaram, no final do ano passado, convênio para financiar dez novos
núcleos.
No caso brasileiro, para dar sustentação
tecnológica ao programa de ecoeficiência, foi criado em 1995 o Centro
Nacional de Tecnologias Limpas, localizado na Federação das Indústrias
do Rio Grande do Sul, no SENAI daquele Estado. Mantido pelo empresariado
e assessorado por universidades, centros de pesquisa e fundações tecnológicas
internacionais, a experiência do CNTL mostra que, nos projetos realizados
em diversos setores industriais, alcançou-se economia de água, energia
e matérias primas, com aumento significativo de lucratividade e competitividade.
Ao ser indagada sobre o processo de implantação
dos projetos de P+L, Márcia Droshagen explica que o primeiro passo
tem sido convencer o empresário que investir em Produção mais Limpa
é um bom negócio. Os programas se desenvolvem a partir de um grupo
de funcionários, chamados de Ecotime. Esse grupo é treinado nas técnicas
de P+L e, depois, sob supervisão técnica, faz o levantamento do processo
produtivo, identificando as oportunidades de melhoria e sua viabilidade
econômica, bem como definindo as prioridades para implantação. Posteriormente
esse grupo torna-se multiplicador.
Márcia dá exemplo dos resultados alcançados pelo projeto piloto desenvolvido
no Rio Grande do Sul, no final da década de 90, envolvendo onze indústrias
dos setores de metalurgia e mecânica. Para um investimento de R$ 48
mil, houve um benefício econômico de R$ 86 mil. No período de sete
meses, as empresas economizaram oito toneladas de matérias primas
e reduziram 65 toneladas de resíduos. A relação investimento/benefícios
é bastante positiva: para cada R$ 1 investido, há um retorno de quase
R$ 4.
Crise
energética
Márcia
destaca “com total convicção”, que as empresas integradas aos programas
de P+L estão mais aparelhadas, técnica e conceitualmente, para enfrentar
situações como a da crise energética. “Isso porque a redução do consumo
de energia faz parte da essência do programa”. Ela lembra não só do
caso das onze empresas gaúchas que alcançaram significativa economia
de energia, citando também o exemplo das siderúrgicas. Essas empresas
desenvolveram processos para transformar os gases gerados em energia.
Assim, não só reduziram as despesas junto às distribuidoras de energia
elétrica, como passaram a vender energia termoelétrica excedente para
terceiros.
Embora os projetos de P+L tenham se desenvolvido
em primeiro lugar nas grandes companhias, que possuem maior aporte
de capital e maior acesso ao conhecimento, o conceito de P+L não é
restritivo. Por isso, o CEBDS articulou com diversas instituições
governamentais e empresariais a formação da Rede Brasileira de Produção
Mais Limpa. “As micros, pequenas e médias empresas são o público alvo
da rede”, explica Márcia. Esse segmento empresarial emprega mais de
95% dos trabalhadores brasileiros e não poderia ficar marginalizado
desse processo.
Rede
cresce
Além
do Rio Grande do Sul, estão instalados e em pleno funcionamento núcleos
estaduais da Rede Brasileira de Produção Mais Limpa nos estados da
Bahia, Santa Catarina, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio de Janeiro.
Estão em processo de instalação os núcleos de Pernambuco e Ceará.
Uma pesquisa concluída no ano passado pela Coordenação da Rede Brasileira
de P+L demonstra que vale a pena investir em projetos de ecoeficiência.
O reaproveitamento de matérias-primas, racionalização de gastos de
energia e outras medidas fizeram com que 36 empresas, que, integram
os núcleos dos estados da Bahia, Mato Grosso, Santa Catarina e Minas
Gerais, obtivessem ganhos significativos. A relação é mais ou menos
a expressa nos números das empresas gaúchas. Para um investimento
de R$ 1,4 milhão, obtiveram um benefício econômico, um ano depois,
de R$ 4,6 milhões. Esse ganho econômico incontestável tem sido um
excelente meio de convencimento para que outros empresários invistam
em projetos de P+L.
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