Ano II - Número 5
   Março a Maio de 2002
 

"Produção Mais Limpa",
um negócio "Ecoeficiente".

Produção Mais Limpa e ecoeficiência são termos que refletem os modernos conceitos ambientais nas empresas. Segundo o CEBDS, nessa matéria a indústria brasileira está na vanguarda entre os países em desenvolvimento.

     O conceito de Produção Mais Limpa é bastante novo. Surgiu em 1989, através do PNUMA – Programa das Nações Unidas para o Meio Ambiente. Em linhas gerais significa a aplicação de uma estratégia ambiental contínua e integrada a processos, produtos e serviços, a fim de aumentar a eficiência, conduzir a um melhor desempenho ambiental, reduzir custos, diminuir os riscos de acidentes ambientais e aumentar a segurança do trabalhador. A informação é de Márcia Droshagen, Coordenadora da Rede Brasileira de Produção Mais Limpa do CEBDS – Conselho Empresarial Brasileiro para o Desenvolvimento Sustentado. Márcia explica que, como conseqüência, surgiu um conceito mais avançado e abrangente: o da ecoeficiência, que significa atingir a eficiência econômica por intermédio da eficiência ambiental.
     Voltado para os países em desenvolvimento, o Programa é adotado em 18 países da América Latina, Leste Europeu, Ásia e África. Sem medo de errar, Márcia Droshagen afirma que o Brasil está na vanguarda deste processo, com uma rede de P+L bastante ampla. O sonho é instalar Núcleos de Produção Mais Limpa nos 27 estados brasileiros. Atualmente, oito estados brasileiros possuem núcleos de Produção Mais Limpa, com possibilidades de ampliação, uma vez que o CEBDS e o SEBRAE assinaram, no final do ano passado, convênio para financiar dez novos núcleos.
     No caso brasileiro, para dar sustentação tecnológica ao programa de ecoeficiência, foi criado em 1995 o Centro Nacional de Tecnologias Limpas, localizado na Federação das Indústrias do Rio Grande do Sul, no SENAI daquele Estado. Mantido pelo empresariado e assessorado por universidades, centros de pesquisa e fundações tecnológicas internacionais, a experiência do CNTL mostra que, nos projetos realizados em diversos setores industriais, alcançou-se economia de água, energia e matérias primas, com aumento significativo de lucratividade e competitividade.
     Ao ser indagada sobre o processo de implantação dos projetos de P+L, Márcia Droshagen explica que o primeiro passo tem sido convencer o empresário que investir em Produção mais Limpa é um bom negócio. Os programas se desenvolvem a partir de um grupo de funcionários, chamados de Ecotime. Esse grupo é treinado nas técnicas de P+L e, depois, sob supervisão técnica, faz o levantamento do processo produtivo, identificando as oportunidades de melhoria e sua viabilidade econômica, bem como definindo as prioridades para implantação. Posteriormente esse grupo torna-se multiplicador.
     Márcia dá exemplo dos resultados alcançados pelo projeto piloto desenvolvido no Rio Grande do Sul, no final da década de 90, envolvendo onze indústrias dos setores de metalurgia e mecânica. Para um investimento de R$ 48 mil, houve um benefício econômico de R$ 86 mil. No período de sete meses, as empresas economizaram oito toneladas de matérias primas e reduziram 65 toneladas de resíduos. A relação investimento/benefícios é bastante positiva: para cada R$ 1 investido, há um retorno de quase R$ 4.

Crise energética

     Márcia destaca “com total convicção”, que as empresas integradas aos programas de P+L estão mais aparelhadas, técnica e conceitualmente, para enfrentar situações como a da crise energética. “Isso porque a redução do consumo de energia faz parte da essência do programa”. Ela lembra não só do caso das onze empresas gaúchas que alcançaram significativa economia de energia, citando também o exemplo das siderúrgicas. Essas empresas desenvolveram processos para transformar os gases gerados em energia. Assim, não só reduziram as despesas junto às distribuidoras de energia elétrica, como passaram a vender energia termoelétrica excedente para terceiros.
     Embora os projetos de P+L tenham se desenvolvido em primeiro lugar nas grandes companhias, que possuem maior aporte de capital e maior acesso ao conhecimento, o conceito de P+L não é restritivo. Por isso, o CEBDS articulou com diversas instituições governamentais e empresariais a formação da Rede Brasileira de Produção Mais Limpa. “As micros, pequenas e médias empresas são o público alvo da rede”, explica Márcia. Esse segmento empresarial emprega mais de 95% dos trabalhadores brasileiros e não poderia ficar marginalizado desse processo.

Rede cresce

     Além do Rio Grande do Sul, estão instalados e em pleno funcionamento núcleos estaduais da Rede Brasileira de Produção Mais Limpa nos estados da Bahia, Santa Catarina, Mato Grosso, Minas Gerais e Rio de Janeiro. Estão em processo de instalação os núcleos de Pernambuco e Ceará. Uma pesquisa concluída no ano passado pela Coordenação da Rede Brasileira de P+L demonstra que vale a pena investir em projetos de ecoeficiência. O reaproveitamento de matérias-primas, racionalização de gastos de energia e outras medidas fizeram com que 36 empresas, que, integram os núcleos dos estados da Bahia, Mato Grosso, Santa Catarina e Minas Gerais, obtivessem ganhos significativos. A relação é mais ou menos a expressa nos números das empresas gaúchas. Para um investimento de R$ 1,4 milhão, obtiveram um benefício econômico, um ano depois, de R$ 4,6 milhões. Esse ganho econômico incontestável tem sido um excelente meio de convencimento para que outros empresários invistam em projetos de P+L.

I Topo I

 
     
 
 
Av. Nove de Julho, 3133 - Jardim Paulista - 01407-000 - Tel/Fax: (5511) 3384-1220