Ano II - Número 6
   Junho a Agosto de 2002
 
 

Ética, patriotismo e vida.

   A luta pela preservação ambiental é um dos grandes ícones das duas últimas décadas do Século XX e, pelo jeito, permanecerá como bandeira ainda por muitos anos no século que se inicia. A realidade ambiental assim exige.

     A agenda de compromissos ambientais, pautada a partir da ECO 92, será avaliada nos próximos meses de agosto e setembro, em Joanesburgo, na África do Sul, no evento conhecido como “Rio + 10”, que reunirá mais uma vez a “Cúpula do Planeta”.

     A expectativa é que haja avanços e ações efetivas. Não é mais possível ficar apenas nos discursos e nas boas intenções. Não será fácil. A relutância dos Estados Unidos da América em referendar o Protocolo de Quioto, destinado a reduzir as emissões de gases poluentes responsáveis pelas mudanças climáticas, é um exemplo das dificuldades a serem enfrentadas. O país que contribui com as maiores cargas de emissões diz que o Protocolo seria desastroso para sua economia.

     Se o Protocolo não é o único fator do qual dependemos para produzir uma “agenda positiva”, ele é o mais emblemático, nos mostra como os problemas ambientais são graves, difíceis de serem solucionados, porque na balança internacional os fatores ambientais pesam, mas ainda não desequilibram. Observe-se que a humanidade não consegue resolver o flagelo da fome, cuja dimensão dramática chama mais a atenção, atenção essa que, no entanto, não é capaz de produzir resultados práticos. A questão ambiental que, infelizmente, pouco ou nada significa para a grande massa da população do Planeta, ainda vai ter que esperar, embora esta não seja a melhor política, conforme alertam os estudos e pesquisas científicas.

     A nós, cidadãos brasileiros, cumpre, neste momento da história, exercermos de fato nossa cidadania, acompanhando de perto os resultados da Rio + 10, exigindo dos candidatos à presidência da República e aos governos dos Estados que incluam em suas plataformas eleitorais o compromisso ético de cumprir a agenda ambiental para o século XXI, agenda que possui tarefas planetárias, mas que também impõe inúmeras lições de casa no âmbito nacional. Se cada um fizer sua parte... Cidadania e patriotismo também devem ser exercidos depois da Copa do Mundo de Futebol, quando tiramos nossas camisas verde-amarelas e deixamos as arquibancadas para nos dirigirmos à “Arena da Vida”.

O Editor

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