Melhoria
contínua, atenção permanente.
Não
restam dúvidas que as duas últimas décadas do Séc. XX foram pródigas
para a questão ambiental. Nesse contexto, as Normas de Qualidade Ambiental,
que apareceram nos países do chamado Primeiro Mundo e pareciam ameaçar
a competitividade de países em desenvolvimento como o Brasil, atualmente
representam diferencial para as empresas que têm investido na defesa
ambiental. A série ISO 14000 é um novo e importante meio para as empresas
demonstrarem comprometimento com as questões ambientais.
Frente
a um mercado que, cada vez mais, exige “qualidade ambiental” das atividades,
produtos e serviços de uma organização, a implantação de um Sistema
de Gestão Ambiental tornou-se variável que não pode ser ignorada na
tomada de decisões das empresas.
Cássio
Felippo Amaral, do Escritório Pinheiro Pedro Advogados, que administra
os processos de Certificação do Sistema de Gestão Ambiental - NBR
ISO 14001, constata que este é um processo que veio para ficar e é
imprescindível para a competitividade das empresas. Ele lembra que
a implantação de um programa de qualidade ambiental deve começar com
a conscientização de toda a hierarquia da empresa. “Há que se ter
o convencimento de que se trata de uma boa medida nos aspectos social,
econômico e ambiental”.
Um
dos aspectos da norma que considera relevante é o dos “Requisitos
Legais”. Saber quais dispositivos legais se aplicam à empresa, ao
ramo de atividade e às etapas do processo de produção, é uma tarefa
bastante complexa e requer atenção especial, pois no Brasil existe
uma dinâmica muito grande na produção de normas legais, explica o
advogado.
O engenheiro Eduardo Licco, consultor e especialista na área de certificação
ambiental, concorda e destaca que é preciso haver um acompanhamento
permanente após a obtenção da certificação ambiental. Isso se justifica
porque o sistema tem como pressuposto a melhoria contínua dos processos
de produção e, assim, a vigilância deve ser constante.
Licco
revela que uma empresa que implanta o SGA possui uma radiografia da
sua realidade, conhece seus problemas e, o mais importante, sabe o
caminho para resolvê-los. E isso é um diferencial no mundo competitivo
de hoje. Existe um porém: quem entra neste circuito, na verdade, está
entrando em uma teia que dissemina o sistema para todo o Planeta.
Todos os dias são necessários novos ajustes e avanços. Interromper
o processo é tão prejudicial quanto não entrar no circuito. Representa
a derrota na competição comercial.
Cássio
Felippo destaca que o processo de Certificação Ambiental no Brasil
é recente, não tem nem uma década, e deve avançar muito ainda. Porém,
já é possível observar que existem aspectos que precisam ser aperfeiçoados
e corrigidos, para não haver o comprometimento da imagem da certificação.
Ele
refere-se ao fato de instituições de certificação e/ou de auditoria
ambiental prestarem também serviços de assessoria às empresas interessadas
na implantação do SGA. “Isso torna a certificação muito suspeita.
É o mesmo que uma empresa de auditoria contábil fazer a contabilidade
para o cliente que irá auditar”. Para ele, isso desacredita a certificação,
além de ser um procedimento que vai contra os princípios éticos.
Comprometimento
Como
escreveu Maurício Reis, no livro “ISO 14000 – Gerenciamento Ambiental:
um novo desafio para a Competitividade”, o gerenciamento ambiental
é um conjunto de rotinas e procedimentos que permite a uma organização
administrar adequadamente as relações entre suas atividades e o meio
ambiente. É um compromisso com a qualidade, onde não basta parecer
ou declarar-se comprometido. É necessário demonstrar que se está agindo
de forma responsável e que se está procurando aprimoramentos consistentes
e diretamente relacionados com as atividades da organização.
Sempre
é oportuno registrar que ao empresário, hoje, estão reservados papéis
muito mais complexos que aqueles exercidos no passado não muito distante,
quando gerar empregos e atender às leis trabalhistas bastavam para
colocá-lo no rol dos bons empregadores. Com os tempos modernos da
globalização, a competitividade e sobrevivência no mercado impõem
alguns fatores imprescindíveis: saneamento ambiental, responsabilidade
social, saúde e segurança são alguns que revelam os compromissos com
a ética e a cidadania corporativa.
Eduardo
Licco, que durante muitos anos trabalhou na agência ambiental do Estado
de São Paulo, a CETESB, destaca que os papéis de regulamentação e
fiscalização ainda não podem ser abandonados. Embora sejam muitos
os avanços na cultura empresarial, a gestão e a certificação ambiental
ainda não são suficientes para a proteção ambiental no cenário industrial
brasileiro.
Sobre
a Norma, Eduardo Licco também apresenta um ponto que considera crítico
e que precisa ser convenientemente avaliado por todos aqueles que
atuam no processo de certificação ambiental: a comunicação. Para ele,
esse aspecto não vem sendo adequadamente considerado, tanto pelas
empresas certificadas, quanto pelas instituições de certificação e
auditoria.
Nem
sempre a empresa está suficientemente preparada para receber as reclamações
e informar adequadamente que está agindo para melhorar aquela situação.
E, ele alerta, “quando a comunicação com a comunidade, imprensa, autoridades,
agência ambiental, organizações ambientalistas, não é bem feita, pode-se
estar colocando em risco todo o trabalho, mesmo que ele seja sério
e correto. Ou seja, não basta fazer, é preciso mostrar o que está
sendo feito”.
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